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Wednesday, 15 July 2009

Caríssimos:

Agora que vou fazer 29 anos (aaaaaaaarrrrrrggggggggghhhhhhhhh!), parece que tenho de crescer um bocadinho. Mas não muito, pelo que vos apresento a minha lista de umbiguice, edição "2009 - para o que vocês haviam de estar reservados...", muito ao estilo do avô Simpson: I'm old, gimme gimme gimme!
Então vamo' lá ber... Wishlist:
1. uma carteira / porta-moedas (desesperadamente necessitada)
2. roupa (venha ela)
3. dream travel: roadtrip across the US, going to Vegas (posso sonhar, não posso?)
4. um labrador retriever cor de areia (há coisas que nunca mudam ;) )
Podem afixar no frigorífico. Agradecidos (nós).

Wednesday, 27 May 2009

Assim a olho nu...

Depois de invocar milagres e pedir ajudar aos santinhos, lá descobrimos uma barraca onde assentar arraiais nas férias. Como diz a maria madalena, "foi uma escolha de olhão".

Tuesday, 17 February 2009

Now you see me, now you don't

moi: olá
(estou invisível)
vês-me? ;-)
(...)
H: [H. is away]

moi: Oi
estou invisível
vês-me?
(...)
Mariamadalenarrependida: [away]

moi
: Ju! Estou invisível!
Ju: I! Que bom ver-te!

Monday, 2 February 2009

Queridos manos,

Não fosse o voo marcado (e se calhar o "cagam-se as calças", que não levei pára-quedas) e tinha-me deixado ficar entre as baguettes e as rues que parecem de brincar lá na França. Rumava talvez a uma certa cidade que eu cá sei na Île de France, mas ficava entre franciús e ficava bem.
O irmão vai decerto chamar-me desnaturada, como aquela vez que confessei sonhar ser hospedeira, quando ainda não se chamavam assistentes de bordo, e me perguntou, na cozinha da Aval de Cima, "e a família?!". A família? Je m'en fous, mon frère.
Paris, j'arrive!
Saúdinha!

Tuesday, 23 December 2008

O Natal às avessas

Este ano o Natal vai ser todo ao contrário.
A mais velha em Inglaterra, a mais linda em S. Mamede, o gajo em Trás-os-Montes e eu, a caçula (ou trombadinha, conforme a disposição), sozinha com a progenitura.
Como se tudo isto não bastasse, depois do jantar vou para o Campo Alegre ter com os Samaritanos e, mais que não seja, provar das nossas sobremesas natalícias.
Queria um pinheiro apanhado nos pinhais de Zava, cheio de resina, enfiado num balde de terra e meia-hora mais tarde transformado na mais bonita árvore de Natal pela linda, com a minha ajuda.
Queria o gajo a tomar conta das rabanadas com o seu humor típico, queria a mais velha a conversar à lareira enquanto fuma um cigarro, queria a progenitura a dormir a sesta ou pelo menos a não chatear, queria fazer de Pai Natal no jipinho e entregar as prendas antes de jantarmos, queria a fogueira gigante de Vilarinho, os risos com a madrinha, até a missa do galo com o gajo a cantar baixinho "já ressuscitooouuu".
Este é o Natal que tenho dentro de mim.

Wednesday, 17 December 2008

O irmão não-sei-pôr-vídeos-no-blog

ensinou-me ontem a dar permissões de administração a todos os autores deste blog, o que fiz com muito gosto, que eu não tenho a mania que isto é meu nem que é um projecto não-sei-quê.
Mas confesso que fiquei triste. Sem lápis azul, mas com toda a democracia e liberdade, eu gostava de ser a Administração deste tasco. (Mandona possessiva, eu sei.)
Ainda assim, gosto destes termos. Todos iguais.
A ver se me deixam em paz com os não-sei-pôr-vídeos e os ó-Ju-compõe-a-foto-pelize-que-eu-não-sei...

Acho que não consigo gostar de Fiona Apple



mas aprovo natais Tim Burton, quanto mais Tim Burton melhor.

P.S. A Fiona por acaso também "cometeu" uma versão desta música. Why the hell did she bother? You can't beat gloomy perfection.

Monday, 8 December 2008

Telegrama: Irmãos,

Reino continua Maravilhoso stop Família bem, lume quentinho, belas comidas stop
Algumas histórias e cantilenas extraídas à Madrinha, devidamente anotadas em papel ou telemóvel stop
Regresso segunda com novidades e histórias completas stop

Saturday, 29 November 2008

Foi você que perguntou

...o que quer dizer Diabo a Quatro?

1."Fazer grande ruído ou estardalhaço, ser causa ou autor de incidentes de todo o género. Vem de longe a origem. Representavam-se na Idade Média peças de devoção que ficaram conhecidas como 'mistérios'. Em certas delas, o diabo era personagem imprescindível. A essas peças chamaram 'diabruras'. Havia as 'pequenas diabruras', onde não entravam mais de três diabos, e as 'grandes diabruras', em que no mínimo tinham de entrar quatro diabos." ("Dicionário das Origens das Frases Feitas", de Orlando Neves, in Ciberdúvidas)

2. "Fazer grande alarido, diabruras, desordens" (o mesmo que "pintar a manta", "pintar o sete")

E mais: as "diabruras" citadas são rituais pagãos que sobrevivem, adivinhem onde? Dá-se-lhe uma, dá-se-lhe duas, dão-se-lhe três: arrematado aos senhores ali ao fundo ---> "No planalto mirandês (...) ainda é possível apreciar as 'diabruras' destas personagens que representam memórias em algumas das aldeias dos concelhos de Miranda do Douro e Mogadouro".

Eu avisei que todos os caminhos vão dar a Trás-os-Montes.

Geografia relativa


Para ele e para ela é um refúgio espiritual, o mítico paraíso perdido (também conhecido entre os iniciados como "reino maravilhoso"). Para mim, que tenho Viana como "paradise lost" desde que aos cinco anos me arrancaram de lá sem me consultarem, é sinónimo de desterro e exílio forçado. Mas todos os caminhos vão dar a Trás-os-Montes. Boa viagem!

Friday, 28 November 2008

Não, não, não sou a única

eu não sou a única, não sou a única a escrever no blogue. Contra todas as aparências e o que alegam algumas alcoviteiras que parecem querer separar o que o blogger juntou, este tasco é de nós quatro e vai ser escrito a oito mãos, ao ritmo de cada um e sem forçar ninguém. E tenho boas notícias: o H. prometeu postar aqui uma foto do quarto arrumadinho dele (essa lenda urbana) para a posteridade, e a 3,14, agora que despachou o trabalho da pós-graduação, há-de arranjar tempo para nos brindar com um postzito ou outro. E eu sei que a Administração tem vários condomínios a que dar atenção, mas entre posts em stereo e densos haikus, contamos com ela!
Sim, que isto tem que dar uma volta como um fuso! Isto tem de entrar nos eixos! E eu quero postas!

Wednesday, 26 November 2008

Os primos brasileiros


Andava eu à coca de fotos para a rubrica "Speak of the devil" quando me deparo com esta pérola: o logo dos Diabo-a-Quatro, uma banda brasileira que canta em inglês.
Se não fossem os direitos de autor, era menina para o pespegar à porta de entrada do blogue, em jeito de sucedâneo dos azulejos portugueses no estilo "Quem nesta casa entrar / É favor os pés limpar".
Assim sendo, e como os "primos" são capazes de não gostar da brincadeira, teremos de aguardar que o Alex nos faça a caricatura "à la minute" encomendada (não se preocupem que eu pedi para ele nos desenhar altos, giros e magros). Ele respondeu-me anteontem. "Quanto à do H. não há problema, as das irmãs é que pode ser mais difícil (ou faço-as todas com cara de H.)".
Talvez não fosse pior ir pensando em contactar os primos brasileiros...

Sunday, 23 November 2008

Juanita Wilder: toda a biografia autorizada

Chamam-me Juanita Wilder por causa do filme em que a Kathleen Turner faz de Joan Wilder, uma romancista, apelidada de "Juanita Wilder" pelo seu maior fã mexicano.
Ficou.
Na idade em que não queria comer nunca-jamais-nesta-vida-ou-na-outra, era tudo menos roliça.
Era magrinha e pequenina, tanto que a Tia Aninhas dizia "Esta vai ser anã". Todo um poço de carinho, aquela nossa tia.
A comadre transmontana disse à Mãe, and I quote, "Ui, e esta? De onde veio esta? Vai ter de a guardar na arca, senão não casa as outras!".
E finalmente, a maior querela da história das querelas dos irmãos:
eu não me abarbatei a quarto nenhum, deram-me foi o quarto mais ranhoso, exilado na outra ponta da casa, entre a cozinha e a sala, qual empregada, porque caí sempre do prato e porque os grandiosos planos dos progenitores de nos porem às três no mesmo quarto saíram furados quando viram que o quarto mal dava para vocês as duas.
Lá que depois fosse o quarto mais agradável da casa, refúgio para fumadoras de armário e escape de festas chatas, já não é culpa minha.

Juanita Wilder


Não sei quem lhe pôs o cognome com sabor a rebeldia e faroeste, mas o certo é que pegou. É uma outsider, uma maverick. O único varão da família azucrinou-lhe a infância e a adolescência garantindo a quem queria ouvir (e sobretudo a quem não queria) que ela foi encontrada "nas látchinhas", maldade com a presciência de que ela, a mais novinha, é a mais independente e original de todos nós. Não se deixem enganar pelas fotografias de bebé: sim, é igual à outra, mas lá dentro mora uma pessoa completamente diferente da quadrilha.

À terceira gravidez os pais deitaram-se a dormir sobre os louros de terem finalmente acertado no rapaz, e tungas, lá veio ela, extemporânea como as flores mais bonitas e os frutos mais doces. Sim, que aqui a vontade dos progenitores não conta para nada: quem conhecer a Joana sabe que ela é capaz de qualquer coisa que se lhe meta na cabeça, e se queria nascer não eram uns meros cálculos economicistas que a iam impedir. Humpfff!

Era tão bonita que precipitou um aviso de uma comadre transmontana disfarçado de elogio: "Se quiserem casar as outras, têm de esconder esta na arca!" (1). Não lhe chegava: tinha de ser diferente. Bem podia o José Barata Moura cantar "come a papa, Joana come a papa": recusava quase tudo. Era um tormento convencê-la a comer: tirando melancia, uns fiozinhos de esparguete nos dias bons e o ocasional copo de leite, recusava de boquita fechada qualquer alimento transportado em colheres aladas. "Um, dois, três, uma colher de cada vez. Quatro, cinco, seis, era uma história de reis, e uma colher de papa". O avião falhava o alvo, dava mais umas voltinhas, na esperança de que a aerogare abrisse eventualmente as portas, para desistir, com falta de combustível e os nervos do piloto arruinados. Então sorria, muito satisfeita. Sem maldade, como quem se limita a cumprir a parte que lhe toca na brincadeira.

Mas era roliça e saudável, testemunho da infinita resiliência das criancas, e hoje tem um apetite que paga com juros especulativos as dívidas da infância, como já avisava na altura a mãe.

Era avessa a quaisquer espartilhos ou regras sociais. Deixava-se vestir para minutos mais tarde a irmos encontrar, completamente nua, no jardim. Tinha sempre calor. À noite, na terceira cama do dormitório das raparigas, cantava para ela mesma, baixinho, até adormecer. Eu e a outra tentávamos calá-la, primeiro às boas ("Joaninha, temos de dormir"), depois com ameaças progressivamente mais duras. Era surda a todos os argumentos: calava-se uns minutos e depois recomeçava, lá-lá-lá-lá-lá. Acabávamos a rir-nos à socapa daquela coisinha que cantava tão bem, teimosa e auto-suficiente. Ou torcida, como vaticinava a mãe. O pai, esse, disfarçava como podia que esta era a menina dele – compensando ausências? Ela usou e abusou do poder.

Nós contrariávamos-lhe as tentações imperialistas garantindo-lhe que "isto não é de Joana". Mas era.

Mal pôde, livrou-se de nós: quando houve uma vaga para um quarto, no primeiro apartamento do Porto, ocupou-o com os seus livros, peluches e diário muitas vezes devassado (mas essa história ela conta-a melhor que ninguém), saltando por cima de hierarquias e direitos de primogenitura. Fez alianças com a sósia, mãe postiça que lhe dava banho em pequenina e nunca sofreu a tentação de a fazer vergar, como outras ditadoras. A casa dividia-se entre "elas" e nós, e ainda hoje, depois de ter feito amplas pazes comigo, cultiva clivagens com o "menino".

Com estes ingredientes fresquinhos, não houve cozinheiro que estragasse o caldo (e olhem que muitos tentaram). É o despacho em figura de gente: resolve qualquer problema enquanto o diabo esfrega um olho e ganhou por isso mais um cognome, o Helpdesk da família (sim, quem é que acham que criou este tasco em menos tempo do que o mafarrico leva a dizer "fiat blog"?). Durante anos era ela que as pessoas ouviam quando ligavam para o atendedor de chamadas lá de casa. De todos, é a que me dá menos preocupações: if there's a will, there's a way, e ela sabe o caminho com uma sabedoria instintiva. Foi a primeira a ousar mudar de rumo na Faculdade, e quando tentou encontrar emprego para ocupar as horas mortas arranjou logo três. Pode demorar, mas ela chega sempre lá. É uma figura, garantem as primas brasileiras. Conquista-me todos os namorados e tem em cada casa por onde passo uma suite baptizada "Juaninha’s bedroom". Detém o recorde absoluto de vindas ao Luxemburgo no livro de visitas.

Chora muito, queixa-se mais, dá cabo da paciência a um santo e faz-nos rir em directo e em diferido, principalmente a mim. Eu que não mexi um dedo para ajudar a criá-la, desobrigada pela precoce vocação maternal da П, sou agora a maior beneficiária dos talentos dela – nhan, nhan, nhan, nhan, nhan! :-P

Há quem diga que nasceu para nos salvar. Eu acredito.

(1) Disclaimer: Este elogio é tributário de ideias patriarcais segundo as quais o valor de uma mulher se mede pelo número de pretendentes, e não reflecte de modo algum as convicções deste blogue. Para que conste, este blogue não apoia o casamento, que considera um péssimo negócio para as mulheres (e se calhar para os homens também).

Dos números

É muito bonito, isso tudo que tu dizes,
mas eu sempre ouvi dizer que um banco de três pernas equidistantes é mais resistente do que um de quatro.
E até sei quem é o elo mais fraco, adeus.

S(t)eriado

Saturday, 22 November 2008

I solemnly swear

Não usarei o grande lápis azul que me calhou em sorte com a abertura deste blog partilhado.
Como dizia a Dani à Raquel,
vocês agora são maiores de 18 anos, juízo.

Tomorrow Never Knows

The Fab Four, very appropriate



In stereo

Pronto...


agora já se pode fumar no blogue!

Thursday, 20 November 2008

Desenganem-se: quatro foi a conta que deus fez


Four: The symbolic meaning of number Four deals with stability and invokes the grounded nature of all things. Consider the four seasons, four directions, four elements, all these amazingly powerful essences wrapped up in the nice square package of Four. Fours represent solidity, calmness, and home. A recurrence of Four in your life may signify the need to get back to your roots, center yourself, or even "plant" yourself. Fours also indicate a need for persistence and endurance.

If it were not for the number Four, we would be lifted into the energy realms like helium balloons: unfettered, ungrounded, and hopelessly lost. We need structure, we need to be grounded, and the number Four is a necessary vibration attesting to this vital need.
To illustrate this necessity, consider just a few of the corner stones linked with the meaning of Four.

Four Elements: Water, Earth, Fire, Air
Four Seasons: Winter, Spring, Summer, Fall
Four Directions: North, South, East, West

Furthermore, consider the pyramids – these phenomenal temples are constructed upon a base of four. Similarly, our homes are founded upon square (four) angles. Over the ages humankind has recognized the stability presented by the number Four and has utilized it to his greatest advantage.

Deve ser por essas e por outras que, apesar das diferenças, somos tão unidos. Sem eles, perdia o rumo e os alicerces, perdia a minha casa. Que sorte sermos quatro!