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Saturday, 3 January 2009

Não mudou o ar, nem as pessoas,

nem nada no mundo lá fora, como eu cria quando me explicaram que coisa era esta de passagem de ano.
Mas não consigo deixar de sentir uma renovação interior. Talvez seja da purga forçada de há dias. 
Either way, encaro este novo ano como um ano com 12 meses em que muita coisa (ou tudo) pode acontecer.
A 2009 só tenho uma coisa a dizer: bota-te lá 'tão, hóme!

Sunday, 23 November 2008

Juanita Wilder


Não sei quem lhe pôs o cognome com sabor a rebeldia e faroeste, mas o certo é que pegou. É uma outsider, uma maverick. O único varão da família azucrinou-lhe a infância e a adolescência garantindo a quem queria ouvir (e sobretudo a quem não queria) que ela foi encontrada "nas látchinhas", maldade com a presciência de que ela, a mais novinha, é a mais independente e original de todos nós. Não se deixem enganar pelas fotografias de bebé: sim, é igual à outra, mas lá dentro mora uma pessoa completamente diferente da quadrilha.

À terceira gravidez os pais deitaram-se a dormir sobre os louros de terem finalmente acertado no rapaz, e tungas, lá veio ela, extemporânea como as flores mais bonitas e os frutos mais doces. Sim, que aqui a vontade dos progenitores não conta para nada: quem conhecer a Joana sabe que ela é capaz de qualquer coisa que se lhe meta na cabeça, e se queria nascer não eram uns meros cálculos economicistas que a iam impedir. Humpfff!

Era tão bonita que precipitou um aviso de uma comadre transmontana disfarçado de elogio: "Se quiserem casar as outras, têm de esconder esta na arca!" (1). Não lhe chegava: tinha de ser diferente. Bem podia o José Barata Moura cantar "come a papa, Joana come a papa": recusava quase tudo. Era um tormento convencê-la a comer: tirando melancia, uns fiozinhos de esparguete nos dias bons e o ocasional copo de leite, recusava de boquita fechada qualquer alimento transportado em colheres aladas. "Um, dois, três, uma colher de cada vez. Quatro, cinco, seis, era uma história de reis, e uma colher de papa". O avião falhava o alvo, dava mais umas voltinhas, na esperança de que a aerogare abrisse eventualmente as portas, para desistir, com falta de combustível e os nervos do piloto arruinados. Então sorria, muito satisfeita. Sem maldade, como quem se limita a cumprir a parte que lhe toca na brincadeira.

Mas era roliça e saudável, testemunho da infinita resiliência das criancas, e hoje tem um apetite que paga com juros especulativos as dívidas da infância, como já avisava na altura a mãe.

Era avessa a quaisquer espartilhos ou regras sociais. Deixava-se vestir para minutos mais tarde a irmos encontrar, completamente nua, no jardim. Tinha sempre calor. À noite, na terceira cama do dormitório das raparigas, cantava para ela mesma, baixinho, até adormecer. Eu e a outra tentávamos calá-la, primeiro às boas ("Joaninha, temos de dormir"), depois com ameaças progressivamente mais duras. Era surda a todos os argumentos: calava-se uns minutos e depois recomeçava, lá-lá-lá-lá-lá. Acabávamos a rir-nos à socapa daquela coisinha que cantava tão bem, teimosa e auto-suficiente. Ou torcida, como vaticinava a mãe. O pai, esse, disfarçava como podia que esta era a menina dele – compensando ausências? Ela usou e abusou do poder.

Nós contrariávamos-lhe as tentações imperialistas garantindo-lhe que "isto não é de Joana". Mas era.

Mal pôde, livrou-se de nós: quando houve uma vaga para um quarto, no primeiro apartamento do Porto, ocupou-o com os seus livros, peluches e diário muitas vezes devassado (mas essa história ela conta-a melhor que ninguém), saltando por cima de hierarquias e direitos de primogenitura. Fez alianças com a sósia, mãe postiça que lhe dava banho em pequenina e nunca sofreu a tentação de a fazer vergar, como outras ditadoras. A casa dividia-se entre "elas" e nós, e ainda hoje, depois de ter feito amplas pazes comigo, cultiva clivagens com o "menino".

Com estes ingredientes fresquinhos, não houve cozinheiro que estragasse o caldo (e olhem que muitos tentaram). É o despacho em figura de gente: resolve qualquer problema enquanto o diabo esfrega um olho e ganhou por isso mais um cognome, o Helpdesk da família (sim, quem é que acham que criou este tasco em menos tempo do que o mafarrico leva a dizer "fiat blog"?). Durante anos era ela que as pessoas ouviam quando ligavam para o atendedor de chamadas lá de casa. De todos, é a que me dá menos preocupações: if there's a will, there's a way, e ela sabe o caminho com uma sabedoria instintiva. Foi a primeira a ousar mudar de rumo na Faculdade, e quando tentou encontrar emprego para ocupar as horas mortas arranjou logo três. Pode demorar, mas ela chega sempre lá. É uma figura, garantem as primas brasileiras. Conquista-me todos os namorados e tem em cada casa por onde passo uma suite baptizada "Juaninha’s bedroom". Detém o recorde absoluto de vindas ao Luxemburgo no livro de visitas.

Chora muito, queixa-se mais, dá cabo da paciência a um santo e faz-nos rir em directo e em diferido, principalmente a mim. Eu que não mexi um dedo para ajudar a criá-la, desobrigada pela precoce vocação maternal da П, sou agora a maior beneficiária dos talentos dela – nhan, nhan, nhan, nhan, nhan! :-P

Há quem diga que nasceu para nos salvar. Eu acredito.

(1) Disclaimer: Este elogio é tributário de ideias patriarcais segundo as quais o valor de uma mulher se mede pelo número de pretendentes, e não reflecte de modo algum as convicções deste blogue. Para que conste, este blogue não apoia o casamento, que considera um péssimo negócio para as mulheres (e se calhar para os homens também).

Das preocupações com problemas que não existem

Entro em casa às 10h30 da manhã de domingo.
A Mãe, à espera que o chá fique no ponto certo, assusta-se com o barulho da porta.
Passado o susto inicial, preocupa-se muito com a minha chegada - pensava que eu estava no quarto a dormir, e agita-se: "ai, meu deus, ai, meu deus".
Poderá não ser uma hora muito recomendável e não dar saúde nenhuma, mas não estou já dentro de casa, sã e salva?
Depois a herege sou eu por invocar o nome do senhor em vão.

Multi-facetado

Dos números

É muito bonito, isso tudo que tu dizes,
mas eu sempre ouvi dizer que um banco de três pernas equidistantes é mais resistente do que um de quatro.
E até sei quem é o elo mais fraco, adeus.

S(t)eriado

Thursday, 20 November 2008

Desenganem-se: quatro foi a conta que deus fez


Four: The symbolic meaning of number Four deals with stability and invokes the grounded nature of all things. Consider the four seasons, four directions, four elements, all these amazingly powerful essences wrapped up in the nice square package of Four. Fours represent solidity, calmness, and home. A recurrence of Four in your life may signify the need to get back to your roots, center yourself, or even "plant" yourself. Fours also indicate a need for persistence and endurance.

If it were not for the number Four, we would be lifted into the energy realms like helium balloons: unfettered, ungrounded, and hopelessly lost. We need structure, we need to be grounded, and the number Four is a necessary vibration attesting to this vital need.
To illustrate this necessity, consider just a few of the corner stones linked with the meaning of Four.

Four Elements: Water, Earth, Fire, Air
Four Seasons: Winter, Spring, Summer, Fall
Four Directions: North, South, East, West

Furthermore, consider the pyramids – these phenomenal temples are constructed upon a base of four. Similarly, our homes are founded upon square (four) angles. Over the ages humankind has recognized the stability presented by the number Four and has utilized it to his greatest advantage.

Deve ser por essas e por outras que, apesar das diferenças, somos tão unidos. Sem eles, perdia o rumo e os alicerces, perdia a minha casa. Que sorte sermos quatro!