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Saturday, 6 June 2009

Eu sei que ele não lê esta droga...


...mas queria lembrar ao irmão que conto com postais de Barcelona e de Madrid. Antecipadamente grata,

Irmã

P.S. A morada é rua d'nome-da-cidade-mais-simpática-à-beira-mar-do-país-onde-vivem-Nelson-&-Arminda-na-versão-francófona-tb-adoptada-por-espanhóis, n. 56; código postal 11, seguido da idade actual do irmão (a do BI, não a mental), paízinho-que-tão-bem-me-acolhe, lamber selo, fim.

Tuesday, 31 March 2009

Solta o Henry Boy que há em ti!

É a frase do dia, seleccionada por um rigoroso comité de irmãs doutoradas em Estudos Henriquinos. Criatividade desbragada, humor sem limites, conversa de engate criativa? Solta o Henry Boy que há em ti!

Thursday, 19 March 2009

Trinta anos de irmão


Quando nasceu foi alvo da inspecção minuciosa das irmãs, ambas na idade impressionável que antecede os estudos primários: "Ui, que feio que é o mano!", concluíram. Juízo precoce: em menos de nada converteu-se num bochechudo que apetecia comer à dentada, bombocas de morango ou de chocolate à escolha das freguesas, as mesmíssimas más-línguas da maternidade, agora convertidas à adoração do irmão.

Entre o amor e o ódio, venha porém o diabo e escolha: regressadas da escola, vestíamo-lo de vestidinho aos folhos por cima da camisola, chapéu de lã com flores, que bonito que era o mano, qué guapo!, juravam as espanholas da Aldeia das Açoteias, ainda o Algarve não era a West Coast, ele rodeado de bolas de todos os tamanhos e feitios, oferenda dos adultos na tentativa vã de o conquistarem só para eles.

O "xedutor" no Algarve

Todos o queriam: houve mesmo quem quisesse comprá-lo, "nós não temos filhos, vocês já têm duas, deixem-nos adoptá-lo, pagamos o que for preciso". Queriam: o progenitor sempre foi paranóico, e com nenhum dos filhos tomou tantos cuidados para que não fossem raptados. Os perigos espreitavam realmente de todos os lados, mas como noutros crimes com menores, o maior de todos acoitava-se em casa: eu, a mana mais velha na-altura-não-tão-velha, sonhava raptá-lo, minha única trouxa quando fugisse de casa, que foi lugar que sempre achei um bocado mal frequentado e de onde pensei raspar-me mal me trouxeram da maternidade.

Tinha tudo planeado com a logística perfeita dos sete anos (já nessa altura era uma grande estratega): abalávamos de boleia para o Porto (que na altura se limitava à rua Pereira Reis), eu vendia bugigangas nos cafés (amostras de champô e perfume que havia de cravar nas perfumarias do bairro ou roubar das revistas na tabacaria), e com o lucro comprava bens de primeira necessidade para ambos, arroz, arroz e mais arroz (datam dessa época as infindáveis perguntas à mãe, "mãe, quanto custa um Kg de arroz?", "mãe, quanto custa uma dúzia de ovos?", havia que deitar contas à vida caso a quotação das amostras baixasse abruptamente no mercado). Note-se que não me movia, neste rapto sonhado que me consolava os dias, nenhuma espécie de altruísmo ("tenho de salvar o irmão das garras do amor paterno"). Nã, egoísmo do mais desbragado: passe o dramatismo, não podia viver sem ele.

Irmão "drag queen"

Trinta anos dele e continuo a precisar do gajo como de arroz para a boca. No Península a curtir uma fossa colectiva, tive uma noite uma bela epifania: eu era na verdade uma felizarda amada pelos deuses, porque apesar de todos os pesares, tinha uma versão revista e melhorada de mim própria na família, quitadinha com carradas de sentido de humor e sex appeal masculino. Agora vejam bem se atingem a enormidade da revelação (noite iluminada, essa): em milhões de famílias chinesas, argentinas, togolesas, venezuelanas ou guianenses à escolha, o meu irmão tinha nascido por puro e inacreditável acaso na mesma família que eu. UAU! Pasmem. Acreditem em deus ou nos deuses, na reincarnação do espírito, na pagã serendipidade: esta coincidência, sob todas as evidências um prodígio de generosidade do grande arquitecto, beneficiava-me a mim e só a mim: o Universo era na altura um lugarejo deserto e assustador, e sem o irmão eu teria batido com a porta antes de completar oito anos. Não seria grande perda, mas era uma merda, porque tínhamos ambos ainda muita coisa que viver.

Como nas grandes paixões, estar com o mano foi sempre um fim em si mesmo. Praticávamos ambos o situacionismo avant la lettre, antes mesmo de ele me ter apresentado Guy Debord: hei-de estar às portas da morte, ou ela à minha porta, e no filme da minha vida que não hei-de deixar de visionar reverei um rapaz e uma rapariga com narizes da mesma estirpe, deitados no esplendor da relva a ecoar "UóÁÁ!", agitando o sol com as suas gargalhadas, algures na Alsácia francesa - ou de como a plenitude do ser, desculpem o palavrão, se contenta com bem pouco. Outros programinhas situacionistas: o luxo de gastar tardes inteiras a pedalar na Volta a Portugal, deitada no sofá ("Podes sonhar! Correr o mundo nessa nave a pedal!"); ser usufrutuária de "dopping" de empurrão nas encostas de Porto Santo; discutir o sentido da vida em longas chamadas telefónicas; devorar compotas para calar "fame chimica"; preferir um relvado na Alemanha a todas as catedrais do país ("Está gostando de Bonn?"). Foram cardos, foram prosas, porque esta love story tem tudo para ser um sucesso de audiências Hollywoodesco, drama, tragédia, suspense e dor. A actriz que dará vida à minha interessantíssima pessoa há-de chorar longas lágrimas num comboio regional a regressar de Utrecht, há-de sobressaltar-se no dia de Natal a muitas milhas de distância, e há-de querer trocar toda a felicidade a que tem direito por cinco minutos da felicidade dele. Vai ser de chorar baba e ranho, olhem o que vos digo, dramalhão à antiga com final feliz ao gosto das audiências. Havemos de ir vê-lo os dois, num cineminha em Utrecht com cartazes retro à entrada, pago eu.

N.B. O irmão fez anos há dois dias (salvé o 17 de Março!, como escreve a progenitora), mas estive raptada por múltiplos afazeres. Tarde mas sentidamente, aqui vai a minha homenagem a essa figura maior da minha vida.

Thursday, 5 March 2009

Baixa (de)pressão

H.: oi tudo bom?
moi
: meia deprimida
mas isto passa-me
H.: atão?
moi: nada
dia de chuva
H.: é do tempo
não te dás com a pressão baixa
moi: estamos com pressão baixa?
H.: ya
de chuva sempre pressão baixa
a rondar os 850 Hpa
quando tá solinho pode ir até 1015 HPa
moi: meu deus, tenho que falar mais ctg
Ju passou horas a psiquiatriar-me
e afinal era só isso!
explica mais
H.: a pressão é o peso da coluna de ar sobre a tua cabeça
com variações bruscas podes sofrer
moi: extraordinário
mas olha, hoje toda a gente estava deprimida no Lux
H.: é de ser um país pequeno que sabe que a sua economia está baseada num sistema que faliu, não tem nada a ver com o tempo neste caso ;-)
moi: ahaahhaahhahahah
H.: olha uma boa música para ti



in Conversas no GCHATo (abridged)

Wednesday, 11 February 2009

Here comes the sun

Depois de neve, frio, chuva & rajadas de 90 km/h, tudo no mesmo dia, e de semanas de tempo neurasténico, irmão-eu-devia-ter-ido-para-meteorologista garante que as coisas vão mudar:

H.: como é
ja chegou o sol ou ainda nao?
moi: não
mas parou de chover
já não é mau
H: exacto
amanha sol
eu devia era ser meteorologista
http://www.metoffice.gov.uk/weather/europe/surface_pressure.html
ve o que se está a passar
o luxemburgo esta a meio caminho de uma alta e de uma baixa pressao
a mover-se na direcção Este
ou seja, o anticiclone passa amanha :-)
moi: e isso é bom para nós, o anticiclone?
H.: tempo seco
e mais frio a noite
mas mais quente de dia
por causa do sol
e tb porque é ar sub tropical :-)

["Ar sub tropical": that's music to my ears...]