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Sunday, 8 February 2009

A Hora do Diabo

No light, but rather darkness visible.
Mas essas chamas lançam, não luz,
mas sim treva visível.


Epígrafe em "A Hora do Diabo", Fernando Pessoa (tradução de um verso de Milton em Paradise Lost, descrevendo o Inferno)

Thursday, 4 December 2008

Foi você que pediu um debate num blogue de grande audiência sobre as "break up songs"?

Na blogosfera, as ideias espalham-se como vírus. O Cachimbo de Magritte iniciou as hostilidades, a peleja continuou no Entre Deus e o Diabo, mas foi o jugular que declarou guerra aberta para escolher as melhores "songs of love and hate". Por lá passaram todúdia de ontem a arremessar com vídeos e comentários, provando que o tema das canções de amor & seus derivados, as canções de separação, apaixona como poucos.

Coincidência curiosa é a questão ter surgido exactamente uma semana depois de nós aqui no Diabo a Quatro termos feito um referendo para eleger a melhor "break up song" de sempre, inspirados no blogue a solo da nossa Joaninha. O que prova que a Ju & seu Isto é de Joana estão, blogosfericamente falando, muito à frente do seu tempo (muito, quer dizer: exactamente uma semana). Blogue denso & quasi-secreto, pois, mas vanguardista. Como aliás eu sempre disse...

Pronto, agora vou colar aqui o Unravel da Björk porque me apetece e porque todos os pretextos servem para ouvir esta "love / break up song". E também porque os versos me dispensam de postar o Speak of the Devil de hoje, combinando os dois assim numa espécie de pague 1, leve 2. Reparem na letra e verão que sim, também se fala no diabo:

While you are away
My loves comes undone
Slowly unravels
In a ball of yarn
Devil collects it [Aham!] with a grin
Our love in a ball of yarn
He'll never return it
So when you come back
We'll have to make new love

Monday, 1 December 2008

Speak of the devil



Saber viver é vender a alma ao diabo,
a um diabo humanal, sem qualquer transcendência,
a um diabo que não espreita a alma, mas o furo,
a um satanazim que se dá por contente
de te levar a ti, de escarnecer de mim...

Alexandre O´Neill, excerto de "Saber viver é vender a alma ao diabo" (leitura integral altamente recomendada - disponível, por exemplo, aqui)

(Caricatura de Vasco Gargalo)

Sunday, 30 November 2008

Speak of the devil

Olha que pergunta...


"If the devil had blue eyes and wore blue jeans, would you let him in?" *

Acompanhamento musical: "Behind blue eyes", The Who, in "Who's next" (hoje foi ele que escolheu, poupando-nos a todos à versão do Limp Bizkit - "You didn't know the original by the Who? Are you serious?!" ).



(também disponível em multimédia, com o bónus adicional do Dr. House - irmãs, não me agradeçam)



* Anónimo. Pode ter vindo daqui. Não se dêem ao trabalho de ir à procura da música (country, t'arrenego): é mais um daqueles casos em que não está à altura da letra)

Saturday, 29 November 2008

Speak of the devil

Por falar em Paraíso(s) perdido(s)...

"The reason Milton wrote in fetters when he wrote of Angels and God, and at liberty when of Devils and Hell, is because he was a true poet and of the Devil’s party without knowing it."

"A razão pela qual Milton escreveu agrilhoado quando escreveu sobre Anjos e Deus, e em plena liberdade quando escreveu sobre Demónios e o Inferno, é porque ele era um verdadeiro poeta e companheiro do Diabo, sem o saber."*

William Blake, The Marriage of Heaven and Hell (a "voz do diabo" fala sobre o "Paradise Lost", de Milton)

Ilustração: William Blake, "Satan Watching the Caresses of Adam and Eve", 1808 (Ilustração de "Paradise Lost", de Milton, Museum of Fine Arts, Boston)

* Tradução de Helena Vasconcelos

Banda sonora opcional

Friday, 28 November 2008

Speak of the devil


As soon as I'm left alone
The devil wanders into my soul

And I pretend to myself

I go out
To the old milestone
Insanely expecting
You to come there
Knowing that I wait for you there

(PJ Harvey, The Devil, White Chalk)


Thursday, 27 November 2008

Speak of the devil

xxiv. o diabo, um dos maiores dos monstros, se existisse numa qualquer encruzilhada, tocaria guitarra e teria outro nome.

(apontamentos para monstroário, por constantino corbain, in "Os monstros são nossos amigos" - blogue já falecido, rest in peace)




(a selecção musical é da inteira responsabilidade deste blogue. O constantino corbain que me desculpe, que ele tinha previsto outra coisa)

Wednesday, 26 November 2008

Speak of the devil


"Poema de sete faces"

Quando nasci, um anjo torto
desses que vivem na sombra
disse: Vai, Carlos! ser gauche na vida.

As casas espiam os homens
que correm atrás de mulheres.
A tarde talvez fosse azul,
não houvesse tantos desejos.

O bonde passa cheio de pernas:
pernas brancas pretas amarelas.
Para que tanta perna, meu Deus, pergunta meu coração.
Porém meus olhos
não perguntam nada.

O homem atrás do bigode
é sério, simples e forte.
Quase não conversa.
Tem poucos, raros amigos
o homem atrás dos óculos e do bigode.

Meu Deus, por que me abandonaste
se sabias que eu não era Deus
se sabias que eu era fraco.

Mundo mundo vasto mundo,
se eu me chamasse Raimundo
seria uma rima, não seria uma solução.
Mundo mundo vasto mundo,
mais vasto é meu coração.

Eu não devia te dizer
mas essa lua
mas esse conhaque
botam a gente comovido como o diabo.

(Carlos Drummond de Andrade)

"Com Licença Poética"

Quando nasci um anjo esbelto,
desses que tocam trombeta, anunciou:
vai carregar bandeira.
Cargo muito pesado para mulher,
essa espécie ainda envergonhada.
Aceito os subterfúgios que me cabem,
sem precisar mentir.
Não sou tão feia que não possa casar,
acho o Rio de Janeiro uma beleza e
ora sim, ora não, creio em parto sem dor.
Mas o que sinto escrevo. Cumpro a sina.
Inauguro linhagens, fundo reinos
- dor não é amargura.
Minha tristeza não tem pedigree,
já a minha vontade de alegria,
sua raiz vai ao meu mil avô.
Vai ser coxo na vida é maldição para homem.
Mulher é desdobrável. Eu sou.

(Adélia Prado, poetisa brasileira - descoberta em "18 + 1 poètes contemporains de langue portugaise", ed. biligue, redescoberta via Meditação na Pastelaria)

Os primos brasileiros


Andava eu à coca de fotos para a rubrica "Speak of the devil" quando me deparo com esta pérola: o logo dos Diabo-a-Quatro, uma banda brasileira que canta em inglês.
Se não fossem os direitos de autor, era menina para o pespegar à porta de entrada do blogue, em jeito de sucedâneo dos azulejos portugueses no estilo "Quem nesta casa entrar / É favor os pés limpar".
Assim sendo, e como os "primos" são capazes de não gostar da brincadeira, teremos de aguardar que o Alex nos faça a caricatura "à la minute" encomendada (não se preocupem que eu pedi para ele nos desenhar altos, giros e magros). Ele respondeu-me anteontem. "Quanto à do H. não há problema, as das irmãs é que pode ser mais difícil (ou faço-as todas com cara de H.)".
Talvez não fosse pior ir pensando em contactar os primos brasileiros...

Tuesday, 25 November 2008

Speak of the devil

"The devil is an optimist if he thinks he can make people worse than they are." (Karl Kraus)

Monday, 24 November 2008

Speak of the devil

"Laughter kills fear, and without fear there can be no faith, because without fear of the Devil there is no more need of God".

Jorge de Burgos, no diálogo com William de Baskerville ("O Nome da Rosa")

(via jugular)

Speak of the devil

Muito sabe o diabo, não por ser o diabo, mas por ser velho.




(anónimo)