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Tuesday, 31 March 2009
Solta o Henry Boy que há em ti!
É a frase do dia, seleccionada por um rigoroso comité de irmãs doutoradas em Estudos Henriquinos. Criatividade desbragada, humor sem limites, conversa de engate criativa? Solta o Henry Boy que há em ti!
Tuesday, 6 January 2009
Imitando JêPê
Vá, finge que ainda acreditas que vou escrever um livro, romance sem chave, a história para acabar com as estórias, e p'ra começar - como é que se diz Pulitzer em português? Gastei as metáforas, sobram-me adjectivos, de qualquer das formas prefiro o inglês. Diz-me que sonhos trazias, que fazes dos dias, não estão muito usados, troco os teus pelos meus. E finge que não, não tinha razão, quem disse que a vida é sempre a perder.
[a ressacar depois de umas horas passadas a ler isto e isto também, lá do autor da real thing]
[a ressacar depois de umas horas passadas a ler isto e isto também, lá do autor da real thing]
O futuro
"Amanhã não estaremos aqui, veja se bebe um pouco e sorri e tira esses olhos do chão! O futuro é lindo: eu já vi! E o avião vai directo para lá! Vamos embora dessa aflição!"
(São Paulo 451, Belle Chase Hotel, letra de J.P. Simões disponível integralmente aqui , música aqui)
(São Paulo 451, Belle Chase Hotel, letra de J.P. Simões disponível integralmente aqui , música aqui)
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A poesia é de comer,
Filosofia de bolso,
JêPê,
Mantras
Tuesday, 23 December 2008
O Natal às avessas
Este ano o Natal vai ser todo ao contrário.
A mais velha em Inglaterra, a mais linda em S. Mamede, o gajo em Trás-os-Montes e eu, a caçula (ou trombadinha, conforme a disposição), sozinha com a progenitura.
Como se tudo isto não bastasse, depois do jantar vou para o Campo Alegre ter com os Samaritanos e, mais que não seja, provar das nossas sobremesas natalícias.
Queria um pinheiro apanhado nos pinhais de Zava, cheio de resina, enfiado num balde de terra e meia-hora mais tarde transformado na mais bonita árvore de Natal pela linda, com a minha ajuda.
Queria o gajo a tomar conta das rabanadas com o seu humor típico, queria a mais velha a conversar à lareira enquanto fuma um cigarro, queria a progenitura a dormir a sesta ou pelo menos a não chatear, queria fazer de Pai Natal no jipinho e entregar as prendas antes de jantarmos, queria a fogueira gigante de Vilarinho, os risos com a madrinha, até a missa do galo com o gajo a cantar baixinho "já ressuscitooouuu".
Este é o Natal que tenho dentro de mim.
A mais velha em Inglaterra, a mais linda em S. Mamede, o gajo em Trás-os-Montes e eu, a caçula (ou trombadinha, conforme a disposição), sozinha com a progenitura.
Como se tudo isto não bastasse, depois do jantar vou para o Campo Alegre ter com os Samaritanos e, mais que não seja, provar das nossas sobremesas natalícias.
Queria um pinheiro apanhado nos pinhais de Zava, cheio de resina, enfiado num balde de terra e meia-hora mais tarde transformado na mais bonita árvore de Natal pela linda, com a minha ajuda.
Queria o gajo a tomar conta das rabanadas com o seu humor típico, queria a mais velha a conversar à lareira enquanto fuma um cigarro, queria a progenitura a dormir a sesta ou pelo menos a não chatear, queria fazer de Pai Natal no jipinho e entregar as prendas antes de jantarmos, queria a fogueira gigante de Vilarinho, os risos com a madrinha, até a missa do galo com o gajo a cantar baixinho "já ressuscitooouuu".
Este é o Natal que tenho dentro de mim.
Thursday, 18 December 2008
O sacerdote que celebrava divórcios
I think that everybody who isn't in love should be divorced. Sometimes I go down the street and when I am not in a particularly liturgical mood, blessing everything, I divorce everybody. I divorce everyone in all the houses. And I see people bursting out of the front doors and running in different directions. I feel that I really cleaned up the streets.
Leonard Cohen (aos 7'35'', with his gorgeous smile)
Leonard Cohen (aos 7'35'', with his gorgeous smile)
Friday, 28 November 2008
Filosofia de bolso
"Lendo Plutarco"

Vangloriava-se de estar
a salvo de um mal:
perder
um filho.
Tornara-se imune a essa dor
de modo simples:
não tendo
filhos.
Sábio homem, esse,
cujo medo de perder
um filho
o fez perder
todos os filhos.
Sábio homem, esse
grego,
esse grande,
esse pobre
Tales de Mileto.
(Ruy Espinheira Filho, poeta brasileiro)
Este poema é baseado na história de Sólon, contada por Plutarco aqui (ao fundo da página) e aqui. Parece que Tales tinha um amigo chamado Sólon que lhe perguntou por que razão não tinha tido filhos. Em jeito de resposta, Tales arquitectou a seguinte manha: enviou um mensageiro a casa de Sólon a dizer que o filho daquele tinha morrido, ao que o pobre Sólon desatou a gritar e a arrancar cabelos. O Tales chega lá, todo ufano, e diz-lhe, à maneira de budista zen: "Não te preocupes, o teu filho não morreu. Mas visto o estado em que uma tal notícia deixa um homem tão razoável como tu, já vês por que razão não quero ter filhos" (ou words to that effect).
A falácia é desmontada por Plutarco, que comenta que é "irracional e pobre de espírito não ousar adquirir o que desejamos por medo de o perder, já que pela mesma lógica não deveríamos cobiçar riqueza, glória ou sabedoria, por temermos perdê-los; mesmo a saúde, a mais desejável das posses, se perde por doença" (tradução livre). Que é como quem diz que há outra forma de dor, mais vazia e árida que a de perder o que amamos, e que envena muitas vidas & velhices: a de nunca ter tentado. Poets say it better: "Talvez por não ousar / Ninguém mereça o que viveu / Talvez não amanheça" (versinhos de Vasco Graça Moura, in "Soneto Destruído", que me perseguem como um aviso).

Vangloriava-se de estar
a salvo de um mal:
perder
um filho.
Tornara-se imune a essa dor
de modo simples:
não tendo
filhos.
Sábio homem, esse,
cujo medo de perder
um filho
o fez perder
todos os filhos.
Sábio homem, esse
grego,
esse grande,
esse pobre
Tales de Mileto.
(Ruy Espinheira Filho, poeta brasileiro)
Este poema é baseado na história de Sólon, contada por Plutarco aqui (ao fundo da página) e aqui. Parece que Tales tinha um amigo chamado Sólon que lhe perguntou por que razão não tinha tido filhos. Em jeito de resposta, Tales arquitectou a seguinte manha: enviou um mensageiro a casa de Sólon a dizer que o filho daquele tinha morrido, ao que o pobre Sólon desatou a gritar e a arrancar cabelos. O Tales chega lá, todo ufano, e diz-lhe, à maneira de budista zen: "Não te preocupes, o teu filho não morreu. Mas visto o estado em que uma tal notícia deixa um homem tão razoável como tu, já vês por que razão não quero ter filhos" (ou words to that effect).
A falácia é desmontada por Plutarco, que comenta que é "irracional e pobre de espírito não ousar adquirir o que desejamos por medo de o perder, já que pela mesma lógica não deveríamos cobiçar riqueza, glória ou sabedoria, por temermos perdê-los; mesmo a saúde, a mais desejável das posses, se perde por doença" (tradução livre). Que é como quem diz que há outra forma de dor, mais vazia e árida que a de perder o que amamos, e que envena muitas vidas & velhices: a de nunca ter tentado. Poets say it better: "Talvez por não ousar / Ninguém mereça o que viveu / Talvez não amanheça" (versinhos de Vasco Graça Moura, in "Soneto Destruído", que me perseguem como um aviso).
Thursday, 27 November 2008
Cada qual tem o mantra que merece
I've always embraced failure as a noble pursuit. It allows you to be anti whatever anyone wants you to be, and to break all the rules. It was one of my tutors at Saint Martins, when I was an art student, that really brought it home to me. He said that only by being willing to fail can you become fearless. He compared the role of an artist to that of being an alchemist or magician. And he thought the real magic was found in flamboyant, provocative failure rather than benign success. So that's what I've been striving for ever since.
Malcolm McLaren, visionário manager dos Sex Pistols (e coleccionador de extravagantes fracassos desde então), em entrevista ao Observer.
Malcolm McLaren, visionário manager dos Sex Pistols (e coleccionador de extravagantes fracassos desde então), em entrevista ao Observer.
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